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A Cultura.
Durante todo o tempo que me afastei dos blogs só me deixei roer por um tema. A Cultura. Todas as outras politiquices foram passando na espuma dos dias. Houve escândalos é certo, houve avanços, rupturas e muitos disparates que foram por aí escrevendo. Mas sobre a Cultura deram-se passos em frente. Finalmente os agentes culturais uniram-se, tomaram posições e disseram algo.
Antes de mais, e para não ferir susceptibilidades: gosto do Francisco José Viegas. Como autor, como pessoa e acima de tudo como Secretário de Estado. Aprecio de viva voz que a SEC não tenha mais um burocrata à sua frente. Mais um advogado, ou gestor, ou engenheiro, que ande a brincar à Cultura.
O FJV é um homem de e da Cultura. Não por ser escritor, mas por ter sido editor literário e ter dirigido uma das publicações mais bonitas do panorama cultural português, a LER. O FJV também lidou, como muitos mais, com todas as dificuldades que a Cultura atravessa em Portugal.
Voltando à polémica. Muitos têm descrito este debate como se só existissem dois pólos: os neo-liberais que pretendem extinguir o financiamento à Cultura e os esquerdistas radicais que defendem a subsidiodependência do sector. Errado. Nada poderia estar mais errado.
Acredito em consensos e em trabalho de equipa. Acredito cada vez mais em meios-termos. Sei que é possível uma solução que agrade a cada uma das partes.
Mas também sei que é preciso defender a nossa Cultura. Sei também que a esmagadora maioria dos agentes políticos, de todos os partidos, se estão a marimbar para a Cultura. Nunca deu votos e não é agora que vai dar.
Demonstremos todos a importância da Cultura. Será um grande passo em frente.
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Apenas mais um blog.
Há já alguns meses deixei de escrever em blogs. Não deixei os blogs, não os deixei de seguir, não deixou de estar lá o meu nome. Não premeditei deixar de escrever. Aconteceu. No dia em que ia escrever não pude, no dia seguinte também não e depois invadiu-me aquela vergonha normal de quem fica com algo por dizer a outra pessoa.
Calei-me e fiquei a ver o que outros escreviam. É sempre tão bom ver as coisas de fora, ter uma perspectiva nova, outro ângulo. Tangas. Autênticas tangas. Os blogs, por muita força que possam ter perdido, ainda são um garante da liberdade que muita falta faz nas redacções dos jornais. Os blogs, mesmo que muitos já tenham sentenciado a sua morte, ainda são a arma daqueles a quem nunca ninguém pediria uma opinião.
Ter algo para dizer ao mundo não é um crime. Escrever nunca será um disparate.